7.9.17

Um pote de sorvete


A paz de espírito é um pote de sorvete
Que se possa tomar sem pensar nos fardos.
Sem lembrar de nada, o pote de sorvete
À tarde amena é uma forma de meditação.

O pote de sorvete à tarde amena é o tempo
As colheradas, o vento e este redor sutil
Como se fosse tempo nosso e não o da avenida.
Não há potes de sorvete no tempo da avenida.

O pote de sorvete pode ser o cheiro de café.
O livro de poemas pode sê-lo, a paisagem,
Ou ser pote de outra coisa que também se goste.
Desde que carregue em si o tempo, a tarde,

O espírito e a ideia de não pensar em nada.
Então, há tarde para respirar, espírito suficiente
Para espreguiçar o corpo, e há tempo até
para um livro de poemas, e um pote de sorvete.

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[LJ]

26.12.16

6 poemas na Diversos Afins

Ilusão de crítica e mais cinco poemas meus na nova e bela edição 115 da revista Diversos Afins:

Ilusão de crítica

O homem que parecia (de pé)
um certo crítico (no balcão)
literário (bebia algum trago).

Seu olhar pesaroso (fixo)
e uma pobreza excessiva (na roupagem)
que o denunciava (mais um)
um engano (meu).

(E eu sem meus originais à mão,
ainda pensei)

Acenamos um brinde, afinal,

à distância.
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