28.1.08

mais e menos

a cada mais a poesia é poeira
diminutos os versos
pulverizados os poemas e seus emblemas

a cada mais tudo mais é menos
mais um, mais um, mais um
(e quanto mais é menos cada um)
é menos que menos três
é menos mais

da parte à partícula
ao átomo
e divisível

é assim
que todo espanto já é esquecimento
vira pó
ó
...


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alguns outros blogs com boas novidades postadas, indico:
Blog de 7 Cabeças -> Sete poetas diferentes com suas diárias fórmulas de espantar bicho-papão.
Des/enredo -> Outra poesia possível, ou não, enfim, lá a cara é dada à tapa.
Caramelinhos & Caraminholas -> Doces prosaicos de uma poesia em linha curva.

11 comentários:

Dauri Batisti disse...

Muito bom seu poema.
Por condicionamentos a frase "a cada vez mais" veio à mente. Você disse muito bem A CADA MAIS. Entendi. Então escrevi sobre a palavra que, no seu poema, não tinha vez: "vez".

Vez,
Outra vez,
presente vez,
oculta vez.
Vice vez
vez em latim
Altera vice,
vice versa,
verso e falo
com carinho
de vez.
A cada mai$
alguém perde a vez
e a vida é menos.

Abração.

www.essapalavra.blogspot.com

* hemisfério norte disse...

dizem q existe uma pontinha de inveja entre os escritores. ainda bem q não o sou (escritora) senão teria inveja do q vc escreve.
bjs
a.

Jacinta disse...

Gosto de vir aqui no seu "jardim". Jeito diferente, ousado...
"A cada mais tudo mais é menos." Isso tenho certo.
Um abraço
Jacinta

www.reflorescer.blogspot.com

Flavia disse...

Por isso não há de ser nem mais nem menos, e sim do tamanho exato para o qual nasceu...

Jake disse...

Síntese necessária, partícula mágica.
O pó da criação !
É o que há !

Bjo

Remo Saraiva disse...

Belo ritmo, bela batida!! Gosto muito de repetições!! Muito bom!!

Abs,
Rômulo.

alex pinheiro disse...

assim poeta, assim poema... tudo numa coisa qualquer que é tudo! Mas as vezes é menos, é pouco...
Coisas de jardim...

Abraços e duais invenções!

Ramon Alcântara disse...

Pó, Ó...


(!?)


Mas ainda existem aqueles que fazem castelos de pó, deseperadamente tentando voltar ao Todo, a gestalt.

Lembro-me dos Tratados e da poesia virtualística.

Ah!

Uma criança carrega outra...
(Ramon Alcântara)

Uma criança carrega outra criança...
A que está sendo carregada já é pó, a outra será...
Dá muito trabalho carregar pó, quando seus pés estão virando pó...
O vento...



abzz

Anderson F. disse...

sim ocorre uma poesia fragmentada, cada vez mais fraseológica, buscando o minimalismo de emily dickson (assim se escreve?) o que a empobrece, o que me faz pensar que se torna hermética, enquanto a ral carcterisitca formuladora da poesia moderna herdada de grandes autores como oswald de andrade e manuel bandeira se perde num rumo cada vez mais com menos...

Duda disse...

curti bastante teu poema! é um comentário um tanto óbvio, mas o jogo com as palavras ficou muito legal.

no mais, ainda sobram alguns Uns hehe

vou te linkar no meu blog, caso não se importe. gostei daqui!
abraços

Sandra Regina de Souza disse...

Sempre versos MAIS que belos... Talento sobra sempre em vc!! beijossss