23.5.06

UMA NOITE NORMAL

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Outro dia me peguei imaginando que estava me apresentando em justificativa para alguém que acabara de conhecer:
"Sou um cara normal...",
dizia eu num simpático sorriso.
Nesse exato instante, de volta à realidade, olhei pro lado,
pela janela do ônibus,
e vi uns caras ali na rua fazendo uma coisa qualquer,
boba, corriqueira, sei lá, algo muito... muito não-eu.
Era uma noite normal, e me fez pensar:
"Hmmm, a última coisa que quero é ser um cara normal".
E concluí:
"Cuidado ao querer parecer normal, sabe-se lá que referência os outros têm".
Perigosíssimo.

E continuei. Mesmo depois da conclusão, e daí?!
Novo momento de divagação e já estava eu a escapar da realidade de novo:
"A estranheza do mundo encadeia palavras."
"Acorrento-me em frases sentidas."
Até que tombei mais uma vez pro real,
meu ponto havia chegado.
Puxar a cordinha e descer.
Mas achei tudo tão normal no chão...
Sabe, prefiro viajar de ônibus.

15 comentários:

Clarice disse...

Totalmente de acordo contigo, teríamos que definir normalidade e parece que cada vez fica mais difícil. Prefiro não "parecer" tão normal mas "sentir-me" como...
"Os loucos abrem os caminhos que depois emprestam aos sensatos"
(Carlo Dossi)
Abraço meu

Edilson Pantoja disse...

De uma coisa não se pode duvidar: tudo termina mesmo é no chão. Ou melhor, o chão não deixa dúvidas... Ou será que deixa? Abraços de Belém!

Nirton Venancio disse...

se você passou por lá é porque sabe voar, meu caro. Eu tinha notado suas asas quando passei por aqui pela primeira vez.
Grande poeta!

Aerodrama disse...

A normalidade é uma utopia inventada por malucos. Muito bom, muito bom mesmo!!!!

Um abraço,
Aerodrama.

Rayanne disse...

E o que é normal?
Acostumar os olhos à barbarie tanta,
Afogar toda e qualquer angústia em barulho e álcool,
Escolher as marcas, como quem triunfa a vida,
Ganhar dinheiro como, porque todos sujam as mãos?
E o que é normal?
Manhãs de Domingo,
Flores estampadas no jornal,
Um sorriso amigo,
Amor imortal?

(é que o mundo está ao contrário...)

Reunir forças, vamos,
Em esconderijos e bunkers,
Uma seita de adoradores da vida,
Poetas, Amores, Amigos, e outros loucos que encontrarmos.

Estrelas.

Ricardo disse...

Como lidar com as diferenças no chão ou em pleno vôo? Olhar para qualquer lado e pensar sem cisões?
Escrever é se abrir ou se fechar?
Abraço do
Ricardo

pedro pan disse...

, devagar divagar. vagar & viajar.
normal?
|abraços meus|

Assim é, se lhe parece disse...

Eu tambémmm
e ver aquelas pessoas normais no ponto de ônibus... todas puxam cordinhas de manhã bem cedo!!

abraços

Aline disse...

Perfeito.
Gostei daqui :)

Ellemos disse...

É o que sempre me pergunto: O que é ser normal? E pra quê? Só sei que vivo dizendo que sou. E tem gente que acredita. Porque sou mesmo. Você também. Ou não?

Bj, poeta!

Vanessa disse...

Eu também prefiro viajar de ônibus...
Quando li a sua poesia, lembrei do texto de um grande amigo meu, que eu considero fantástico, diz assim:
"Caretice mesmo é o desregramento pelo simples medo da caretice. Desregramento que não respeita os limites suportáveis.
Pensamento um tanto medíocre, eu sei, mas prefiro ficar com as sensações que consigo bancar.
Nova sensação de mediocridade. Como se nunca fosse além." (Fávio Chedid).
Eu também quero ir além, acho bacana ser diferente, mas prefiro ficar com as sensações que eu consigo bancar. Com o tempo, a gente vai bancando mais. Beijão!!!
p.s: Quando ficar famoso e aparecer na Caras, vê se não esquece de mim...rs...

Mary disse...

Quero sentir o diferente no normal... Não, não quero pensar no normal... Quero apenas sentir...

Beijos. ;)

Larissa Marques disse...

Já eu aviso de cara, não sou normal, não me encaixo, sou aversa a sociedade e nunca vou me adaptar. Risos!
Estou vindo pela primeira vez, e gostei do texto. Como não me conhece, vou repetir a minha velha frase. Só me dou ao trabalho de comentar o que gosto, o que não gosto, ignoro, descarto!
Tudo passa pela minha subjetividade torta.
Vou continuar lendo.
Beijos!

Aline disse...

Mas é justamente essa curiosidade do anormal que nos torna tão diferentes,
um beijo.
:)

Anônimo disse...

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