28.9.09

A propósito do poema

Não pense que todo poema é escolha
de vida, de forma ou estilo;
nem entenda que está a serviço
o poema de alguma idéia
pré-concebida, como se do poeta
fosse incapaz o fastio.

Não deixe que a poesia
emoldure uma lembrança,
muito menos contorne-a
com esperança, plástico ou vidro.
É objeto independente
o poema, principalmente de seu autor.

E um completo inútil,
como nem mesmo uma flor.

25 comentários:

Gryner disse...

Tá com uma cara de Oscar Wilde...
Prefácio de "O Retrato de Dorian Grey":
" To reveal art and conceal the artists is art's aim.
...
We can forgive a man for making a useful thing as long as he does not admire it. The only excuse for making a useless thing is that one admires it intensely.
All art is quite useless."

Eu, por outro lado, gosto de achar que ela serve para fazer a gente gostar mais do mundo.

Bom poema querido parceiro!

Renata de Aragão Lopes disse...

"Não deixe que a poesia
emoldure uma lembrança,
muito menos contorne-a
com esperança, plástico ou vidro."

Que versos mais simbólicos!
Gostei muito.

Ps: vim, sobretudo, Leandro,
agradecer o seu comentário
em meu poema "Sem alarme"!

BeiJardins pra você! : )

As Flores e Eu disse...

Muito legal o seu blog.
:)
¥

Michelly Barros disse...

Acredito na coisa que quer ser escrita, como se o poeta fosse só um meio pra essa coisa ganhar vida e, sim, fazer a gente gostar mais do mundo.

PS: Tava com saudade de passar por aqui. Sempre me faz bem =)Bjo

Elaine Lemos disse...

Contudo, como diz o querido poeta, "não subestime o significado". Não é, Leandro? Palavras que guardo.

Amo.

Rayanne disse...

A poesia vem quando e como quer, não é mesmo? Somos mero objetos às suas incorporações. **Estrelas, Jardinzim!**

Marcelo Mayer disse...

a gente respira, o poeta poema

grande abraço!

Sweet disse...

respirei seus poemas.

Sandra Regina de Souza disse...

seria o poema quem escolhe seu autor?...rs... Filosofica-mente! bj

Ramon de Alencar disse...

...
-Seria vaso, e vago...

paredro disse...

É um burburigmo no ar, que nos sugerem coisas tão nossas =)

Victor Colonna disse...

Leandro,

Vou lançar meu livro de poemas "Cabeça, Tronco e Versos .Segue o convite e um poema. Apareçam! Divulguem!


O LANÇAMENTO

Lançar um livro é se lançar às críticas, ao abismo que é o gosto do outro.

Publicar, mais que escrever, é inscrever as palavras, imprimir-se, revelar-se para o mundo.

Há milhares de anos, quando não éramos ainda seres “humanos”, resolvemos misturar o sangue dos animais com terra, transformamos esse sangue em tinta e passamos a desenhar as paredes das cavernas. Não se sabe porque isso se deu, mas com certeza, já existia nos nossos antepassados cavernosos a necessidade de transcender à vida, de mostrar ao mundo: “eu estive aqui”.

Ninguém sabe exatamente o que é arte. A mim, arte remete à caverna, sangue, angústia, destino, transcendência. É apenas uma intuição, uma conjectura. Não tenho certeza. Nunca terei.

Mas isso não tem a menor importância. Pois a vida não é feita de certezas, mas de caminhadas.


CURTO-CIRCUITO (VictorColonna)


De repente eu paro e olho: é ele!
Desengato marcha-a-ré crescente
Meu rosto fica roxo, vermelho
Desamarra-se o elo da corrente.

Curto-circuito, incêndio, tragédia!
Meu cabelo arrepiado espeta
Meu pulso desencapado choca
Meu corpo endiabrado, capeta.

E meu peito pega fogo: é vida
Um calor que se desprende e solta
Amor é caminho longo: é ida
É só ida. Não tem volta.

Rafael Costa disse...

- Ah, mas que o fastio não nos pertence. Se nos perde a graça, reiventamos.

Angélica Lins disse...

Tudo aqui é especial.

Tem selo pra você lá no vórtice, passa lá.
Abraço

Lisa Alves disse...

a poesia nãó é uma casa cosntruida, ela é como uma rocha formada pela natural batida secular das águas.

Muito bom!!!! :)

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Adorei!

- eeeeeii disse...

vejo flores por aqui! *-*

Angel disse...

Me chamou muito a atenção o nome do blog
Flores, pragas e sementes...
interessante!

Lubi disse...

nossa,
eu jurava que tinha comentado nesse. hahaha.
tsc tsc tsc. vergonha.

Lubi disse...

eu só vim dizer mesmo que estava com saudade!

[ rod ] ® disse...

o dito em forma poética tem liberdade própria... não pode ser circunscrita no ideal de quem a possui... perfeito meu caro. abs.

Analuka disse...

Beijos pintados, floridos e poéticos!!!

Gisela Cardelli disse...

O poema não tranca uma lembrança, penso que seja uma forma de ilustrar o momento, um sentimento profundo.

Agradeço pela visita que fizeste ao meu blog =]

Bjos.

J.F. de Souza disse...

Meu caro Jardináceo... E qual entretenimento não o é, não é mesmo?

1[]!

Sylvia Araujo disse...

Lindíssimo!

Beijo!